autoentrevista

copiando aqui um post do Face:

Já que ninguém me entrevista, e sou jornalista, me entrevisto eu mesma:

– Por que você canta tantas coisas diferentes?

Porque eu sou assim, um mix de referências, uma curiosa irrecuperável, volúvel, apaixonável. Minha formação musical tem Barbra Streisand e Fundo de Quintal. Não tenho como negar, nem excluir nada, porque tudo está dentro de mim e resultou na cantora que tenho sido há quase 30 anos. Muita gente cobra que eu deveria me decidir por um estilo. Mas eu me decidi por cantar os estilos de que gosto, que nem são tantos assim. Sempre cantei mpb, samba, jazz e black music, estilos que considero completamente primos entre si. Posso fazer um show de samba, ao mesmo tempo em que faço um de jazz em outro lugar, isso sou eu. Mesmo que o preço disso seja confundir quem gosta de definições. Eu sou assim e essa é a minha forma de me expressar artísticamente. Ao mesmo tempo, sou capaz de uma fidelidade canina: trabalho mais ou menos com os mesmos músicos há uns 15 anos and counting.

– Por que você resolveu juntar um violão de sete cordas e um piano para este show, BrazJazz?

Porque eu queria misturar dois instrumentos absolutamente completos, que juntos podem se alternar nas funções. Um vai pra base, o outro sola, o outro segura a levada, o outro volta e complementa, contracanta. O show é de brazilian jazz, isto é, música brasileira universal, que conversa com estilos diferentes de dentro e de fora daqui. Cuidamos da harmonia, dizemos a melodia, usamos muita dinâmica. O violão de sete cordas, no Brasil, é do choro e do samba. Eu quis esse sotaque brasileiro conversando com a universalidade clássica do piano. Os músicos que tocam comigo, Domingos Teixeira, Paulo Malaguti Pauleira, que vai ser substituído neste show por Itamar Assiere, são caras que conhecem tudo de música, de todos os estilos. Eles têm uma cultura muito vasta, condensada na direção da beleza, e realmente conhecem música brasileira. Fica sofisticado, mas soa simples, todo mundo ouve e curte e entende. Eu gosto de música bonita, não ligo se é careta. A beleza não tem nome, nem forma, nem nada. Ela é.
– Por que você chamou o Marquinho China, um cantor de samba, partideiro, para fazer participação no seu show de brazilian jazz?

Porque o Marquinho é um cara que vem na minha casa e quer ouvir Duke Ellington, mesmo sendo um ícone do partido alto, um professor de brasilidade, uma enciclopédia, um cantor da mais alta estirpe do samba. Ele não tem esse problema, que outros caras do samba têm, de só poder ter olhos para o samba. Ele é do samba, ele vive e ama o samba, mas ele é um cara inteligente, sensível, um artista que entende que aqui se faz samba e ali se faz outros sons, e tudo pode ser bom se for pelo caminho da beleza. E é um grande cantor, dono de um timbre lindo, que abre a boca e arrasa em qualquer terreiro, seja de samba ou de jazz.abre alas

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